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Santander e Itaú reduzem juros para crédito habitacional

Postada em 20/02/2026 às 21:35:37
Santander e Itaú reduzem juros para crédito habitacional
Por Redação -20 de fevereiro de 2026

O mercado imobiliário começou 2026 com um sinal claro de movimento: bancos privados passaram a reduzir as taxas de juros do financiamento imobiliário mesmo com a Selic mantida em patamar elevado. A estratégia reforça a expectativa de retomada do setor e pode antecipar decisões de compra de milhares de brasileiros. Entre o fim de 2025 e o início deste ano, Itaú Unibanco e Santander Brasil ajustaram para baixo suas taxas mínimas, iniciando uma nova fase de competitividade no crédito imobiliário.

As reduções chamam atenção porque acontecem em um cenário de política monetária restritiva. Ainda assim, as instituições começaram a se posicionar para o aumento da demanda por crédito habitacional. O Santander passou a operar com taxas a partir de 11,79% ao ano + TR, ante 11,99% em novembro de 2025. No Itaú, a taxa mínima caiu de 11,70% para 11,60% ao ano + TR, válida desde dezembro.

A redução pode parecer pequena, mas nofinanciamento imobiliário cada décimo impacta significativamente o valor final pago ao longo dos anos. Embora os bancos não tenham detalhado oficialmente os motivos das reduções, o mercado associa a decisão a ajustes recentes na política habitacional e ao aumento da concorrência. A Caixa Econômica Federal, principal agente do crédito imobiliário no país, estabeleceu teto de juros de até 12% ao ano para financiamentos voltados à classe média, além de ampliar condições de crédito.

Outras instituições seguem estratégias diferentes:

  • O Banco Inter divulga taxas a partir de 9,5% ao ano, indexadas ao IPCA.
  • O Bradesco opera, segundo dados do Banco Central, com taxas entre 11,70% e 12,73% ao ano em financiamentos pós-fixados atrelados à TR.

Esse cenário reforça a disputa entre instituições financeiras para captar clientes e estimular novos contratos. Mesmo sem comunicados oficiais detalhando os motivos, analistas do setor e executivos do mercado financeiro apontam que a queda nas taxas não foi pontual nem isolada. Ela reflete uma combinação de fatores econômicos, estratégicos e competitivos que já vinham se desenhando desde o fim de 2025.

Principais vetores

1) Expectativa real de retomada do mercado imobiliário

Os bancos costumam antecipar ciclos. Ou seja, eles ajustam suas condições antes da demanda explodir e não depois.

Há uma leitura clara de que 2026 pode marcar a retomada gradual das vendas de imóveis no Brasil, sustentada por:

  • possível ciclo de queda da taxa básica de juros ao longo do ano
  • maior estabilidade econômica
  • retomada do emprego e da renda das famílias
  • aumento da confiança do consumidor

Ao reduzir taxas agora, as instituições se posicionam para capturar essa nova demanda quando ela ganhar força. Quem sair na frente tende a fechar mais contratos e fidelizar clientes logo no início do ciclo.

2) Pressão competitiva entre bancos e programas habitacionais

Outro fator central é a disputa direta por mercado. O crédito imobiliário é um dos produtos mais estratégicos para as instituições financeiras, porque envolve contratos de longo prazo e relacionamento contínuo com o cliente.

A atuação da Caixa Econômica Federal tem peso relevante nesse cenário. O banco ampliou condições para a classe média, aumentou limites de financiamento e passou a trabalhar com tetos de juros próximos a 12% ao ano em determinadas linhas. Isso gera um efeito dominó:

  • bancos privados precisam ajustar taxas para não perder clientes
  • a competição reduz margens, mas amplia volume de contratos
  • o crédito passa a ser usado como porta de entrada para outros produtos financeiros

Na prática, o financiamento imobiliário vira uma arena de disputa estratégica entre instituições.

3) Relacionamento de longo prazo

Diferente de outras linhas de crédito, o financiamento habitacional cria vínculos que duram décadas. Quando um banco concede crédito imobiliário, ele não está vendendo apenas um empréstimo. Está construindo um relacionamento financeiro completo, que pode incluir:

  • conta corrente e movimentação bancária
  • seguros habitacionais e patrimoniais
  • cartões de crédito
  • investimentos
  • crédito consignado e pessoal no futuro

Taxas menores hoje funcionam como uma porta de entrada. A instituição aceita ganhar menos na operação inicial para garantir um cliente de alto valor ao longo dos anos.

4) Antecipação de queda da Selic

Mesmo com a taxa básica ainda elevada, o mercado financeiro trabalha com expectativas e não apenas com o cenário atual.

A sinalização de desaceleração da inflação e possibilidade de redução da Selic nos próximos ciclos do Banco Central faz com que bancos já ajustem suas estratégias. Isso acontece porque:

  • o crédito imobiliário é planejado com visão de longo prazo
  • contratos podem ser refinanciados no futuro
  • entrar no mercado antes da queda generalizada aumenta participação e carteira

Ou seja, a redução não é só uma reação ao presente, mas uma aposta no que vem pela frente.

5) Necessidade de manter o crédito ativo

Com a Selic elevada, outras linhas de crédito tendem a desacelerar, como empréstimos pessoais e financiamento de consumo. O crédito imobiliário, porém, segue sendo considerado mais seguro, pois:

  • possui garantia real (o próprio imóvel)
  • apresenta menor índice de inadimplência
  • tem contratos estruturados e de longo prazo

Reduzir levemente as taxas é uma forma de manter esse mercado girando, evitando queda brusca nas contratações.

6) Mudança de comportamento

O comprador de imóvel em 2026 está mais informado, compara bancos e simula crédito antes de fechar negócio. Esse perfil pressiona as instituições a oferecerem melhores condições. Hoje, o cliente:

  • pesquisa taxas online
  • negocia entre bancos
  • busca aprovação em mais de uma instituição

Quem apresenta taxas competitivas primeiro ganha vantagem na decisão.

Qual é a economia?

Uma queda de 0,2 ponto percentual pode representar milhares de reais ao longo do contrato. Em financiamentos de longo prazo, qualquer redução tem impacto direto em:

  • valor da parcela
  • capacidade de aprovação de crédito
  • custo total do imóvel

Além disso, taxas menores ampliam o acesso ao financiamento para famílias que antes não conseguiam se enquadrar na renda exigida.

Comprar ou esperar?

A redução dos juros levanta a principal dúvida do comprador: este é o momento ideal para financiar? O cenário atual reúne três fatores positivos:

  • bancos reduzindo taxas
  • maior competição entre instituições
  • expectativa de queda gradual da Selic no médio prazo

Ao mesmo tempo, esperar pode significar enfrentar:

  • aumento do preço dos imóveis
  • maior demanda no segundo semestre
  • menor poder de negociação

Para profissionais do setor, o movimento representa uma janela estratégica:

  • maior facilidade de aprovação de crédito
  • aceleração do ciclo de vendas
  • aumento da conversão de leads em compradores
  • retomada da confiança do consumidor

A tendência é que o financiamento volte ao centro das negociações, exigindo do corretor maior domínio sobre crédito, taxas e simulações.2026 pode marcar a virada do crédito imobiliário

A redução das taxar por bancos privados, mesmo com juros básicos elevados, sinaliza uma aposta clara na retomada do setor. O mercado começa a antecipar a queda da Selic e a retomada da economia. Para quem pretende comprar, financiar ou investir, o momento passa a ser de análise estratégica e não apenas de espera. O crédito está se mexendo. E, historicamente, quando isso acontece, o mercado imobiliário costuma reagir logo em seguida.

Fonte: Mercado Imobiliário

 

 

Fonte: Paraíba Business