Dados do IBGE mostram avanço dos domicílios unipessoais entre pessoas 60+ e impulsionam projetos residenciais mais compactos, funcionais e bem localizados
Por Redação -29 de dezembro de 2025
O número de brasileiros com 60 anos ou mais que vivem sozinhos tem crescido de forma consistente e já provoca mudanças no mercado imobiliário. Dados do Censo Demográfico 2022, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), indicam que quase 19% dos domicílios do país possuem apenas um morador, frente a 12,2% em 2010. Desse total, 28,7% são ocupados por pessoas idosas, o que representa cerca de 5,6 milhões de brasileiros nessa faixa etária vivendo sozinhos.
O avanço reflete a transformação da estrutura demográfica do país. Em 1980, pessoas com 60 anos ou mais representavam 4% da população brasileira; atualmente, esse grupo corresponde a 10,9%. A projeção do IBGE aponta que, até 2030, a população idosa deve ultrapassar o número de jovens, alterando de forma significativa a pirâmide etária nacional.
Estudos complementares reforçam essa tendência. Levantamento do QuintoAndar, com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), mostra que o número de pessoas que optaram por morar sozinhas cresceu em todas as faixas etárias entre 2012 e 2021, com maior intensidade entre indivíduos com mais de 65 anos, cuja alta foi de 49,9%. No grupo entre 50 e 64 anos, o crescimento foi de 45,3%.
Esse novo perfil demográfico tem impactado diretamente o mercado imobiliário. A demanda por imóveis compactos, bem localizados e com infraestrutura funcional vem crescendo, especialmente entre pessoas que buscam autonomia, praticidade e acesso facilitado a serviços, transporte público e áreas de convivência urbana.
Segundo profissionais do setor, incorporadoras passaram a priorizar projetos que combinem menor metragem com soluções de conforto, segurança e integração urbana. A proposta não se limita à redução de espaço físico, mas à oferta de imóveis planejados para atender às necessidades de um público mais velho, ativo e independente.
O fenômeno também acompanha uma tendência observada em outros países. Na Noruega, por exemplo, mais de 45% dos domicílios são unipessoais. No Brasil, capitais como Rio de Janeiro, Porto Alegre e cidades do Espírito Santo apresentam percentuais superiores a 20% de residências com apenas um morador.
Além do envelhecimento populacional, a redução do tamanho médio das famílias contribui para esse cenário. Nas últimas décadas, a média caiu de 4,2 pessoas por domicílio, nos anos 1990, para 2,9 em 2020. O movimento reflete mudanças sociais, como menor número de filhos, aumento de divórcios e maior valorização da vida independente.
Diante desse contexto, o mercado imobiliário vem ajustando seus modelos para atender a uma geração que prioriza qualidade de vida, funcionalidade e localização, sinalizando uma transformação estrutural no modo de morar nas cidades brasileiras.
Redação com informações do portal Terra

